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Liquid Network: o que aconteceu com o L-BTC e se já é seguro voltar

Foto do escritor: Ana Paula Rabello
Ana Paula Rabello
há 2 horas
3 min de leitura

No dia 6 de setembro, a Liquid Network, rede paralela ao Bitcoin mantida pela Blockstream, sofreu um dos maiores incidentes da sua história. Uma falha no software da rede permitiu criar cerca de 4.000 L-BTC sem lastro. Esses tokens foram trocados por bitcoins reais guardados nas reservas.


Mais de um mês depois, a pergunta que mais chega para mim é simples: já dá para voltar a usar a Liquid?


Como a Liquid funciona


A Liquid foi criada para movimentar Bitcoin com mais rapidez e privacidade. Para usar, tu deixas teu BTC guardado com uma federação de empresas e recebes no lugar um token chamado L-BTC.


A regra é que cada L-BTC vale exatamente 1 Bitcoin. Quando tu quiseres sair, entregas o L-BTC e a federação devolve o BTC. Esse caminho de volta se chama peg-out.


Pensa em um guarda-volumes: tu deixas o teu Bitcoin lá e recebes um tíquete para buscar depois.


O que deu errado em setembro


A falha permitiu fabricar tíquetes falsos. Com eles, cerca de 3.996 BTC saíram das reservas da federação.


No dia seguinte, 3.400 BTC foram devolvidos. O restante, perto de 600 BTC, não voltou até hoje.


A rede voltou a processar transações em 10 de setembro, mas com o peg-out desligado. Ou seja: quem tinha L-BTC continuou sem conseguir trocar pelo Bitcoin direto nas reservas.


Já dá para sacar?


Por um caminho alternativo, sim.


Em 20 de outubro, a Liquid liberou trocas de L-BTC por BTC por meio de provedores credenciados. Mas tem três cuidados:


  1. Depende da liquidez de cada provedor. Se muita gente quiser sair ao mesmo tempo, pode faltar Bitcoin para a troca.

  2. Pode haver fila e demora.

  3. Pode haver desconto. Com a saída oficial fechada, nada garante que tu vais receber 1 BTC por cada L-BTC.


O peg-out direto, que é a saída oficial, continua suspenso e sem data para voltar.


A conta que ainda não fecha


Hoje existem cerca de 4.234 L-BTC em circulação, para pouco mais de 3.632 BTC nas reservas. Isso dá uma cobertura de aproximadamente 86%.


Logo depois do incidente, a Blockstream declarou que a paridade de 1 para 1 seria coberta. Até agora, porém, o plano de recuperação não informa de onde vêm os recursos nem quando os saques diretos voltam.


Então, é seguro voltar a usar a Liquid?


Uma coisa é conseguir tirar teu Bitcoin de lá. Outra é saber se o problema que causou tudo isso foi resolvido.


Antes de voltar a colocar Bitcoin na Liquid, eu esperaria três sinais:


  • a falha corrigida e auditada;

  • as reservas recompostas, com 1 BTC para cada L-BTC;

  • o peg-out oficial funcionando de novo.


Enquanto isso não acontecer, eu não confundiria a volta dos saques com a volta da segurança.


E o imposto de renda?


Levar teu Bitcoin para a Liquid e trazer de volta não significa automaticamente que tu vendeste Bitcoin e precisas pagar imposto.


Mas, dependendo de como tu entraste ou saíste, pode ter acontecido uma troca entre criptoativos, e a troca entre criptoativos pode gerar imposto. Isso fica mais delicado agora, porque quem sair por um provedor com desconto pode receber menos BTC do que tinha em L-BTC.


Na prática:


  • Guarda os registros: data, quantidade, hash das transações e taxas pagas na entrada e na saída.

  • Declara o L-BTC separado do BTC na ficha de Bens e Direitos, enquanto ele estiver contigo.

  • Não trata o rombo das reservas como prejuízo antes da hora. Perda só existe quando tu efetivamente sais com menos do que entraste.


E lembra: mais privacidade não significa menos obrigação com a Receita Federal. Com a DeCripto (IN RFB nº 2.291/2025), a Receita recebe dados das exchanges nacionais e, desde julho de 2026, também das estrangeiras.


Resumindo


  • Já existe uma forma de tirar Bitcoin da Liquid? Sim, por provedores credenciados.

  • O problema foi resolvido? Ainda não. As reservas cobrem cerca de 86% do L-BTC.

  • É seguro voltar? Eu esperaria a saída oficial e o lastro completo antes de voltar.


Do Declarando Bitcoin


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