OKX Money: o cartão cripto que respeita a privacidade
A OKX lançou nesta quinta-feira (5) no Brasil o OKX Money e seu novo cartão físico internacional, em um evento em São Paulo acompanhado pelo Declarando Bitcoin e que contou com a participação de Lando Norris, piloto da McLaren na Fórmula 1. Além da possibilidade de gastar dólares digitais em estabelecimentos comerciais, a novidade chama atenção por um aspecto importante: a privacidade das transações.
Segundo uma explicação publicada pela própria OKX, o cartão é emitido no exterior e usa o saldo em dólar digital guardado em uma carteira de autocustódia, que pertence ao próprio usuário. Por isso, as compras feitas com o cartão não são informadas automaticamente à Receita Federal nem ao Banco Central por nenhuma empresa no Brasil. Isso não tira do usuário a obrigação de declarar, como explicamos mais abaixo.
A informação ganha relevância justamente quando as exchanges estão se adequando às novas regras brasileiras, que ampliam as exigências de identificação de clientes, fiscalização e compartilhamento de dados sobre operações com criptomoedas.
O cartão físico faz parte do lançamento do OKX Money, aplicativo que permite converter reais em stablecoins, realizar pagamentos e manter ativos em uma carteira de autocustódia.
Como funciona a privacidade do cartão OKX?
A principal diferença está na estrutura do produto, que envolve três empresas. A OKX Technology, nos Estados Unidos, fornece a carteira de autocustódia. A Monavate, instituição financeira licenciada na Lituânia, emite o cartão, e não um banco brasileiro. E a OKX Brasil recebe o Pix e faz a compra do dólar digital.
Na documentação oficial, a OKX informa que, como o cartão é emitido fora do país e o saldo fica em autocustódia, as compras realizadas com ele não são transmitidas automaticamente à Receita Federal brasileira.
Isso não significa, entretanto, que o cartão seja anônimo ou impossível de rastrear. A própria OKX exige verificação de identidade dos usuários, enquanto o emissor e os participantes do sistema de pagamentos podem manter registros das transações.
Também é importante diferenciar as compras realizadas com o cartão das operações utilizadas para adquirir e movimentar as stablecoins. O depósito via Pix passa pela OKX Brasil, e essa compra de dólar digital entra na DeCripto da corretora, a declaração que as prestadoras entregam à Receita Federal.
OKX Money combina cartão físico, Pix e dólares digitais
O novo OKX Money permite adicionar saldo em reais por Pix e converter os valores em dólares digitais, mediante uma taxa anunciada de 0,49%.
Os recursos são direcionados para uma carteira de autocustódia, oferecendo ao usuário maior controle sobre seus ativos. A plataforma permite trabalhar com stablecoins como USDC, USDT e USDG.
Durante o lançamento, Guilherme Sacamone, CEO da OKX Brasil, afirmou que a proposta é oferecer mais liberdade para manter e movimentar recursos internacionalmente.
"A gente está trazendo para o Brasil uma forma de ter dólares digitais de maneira completamente soberana, sob sua própria custódia e com total liberdade para usar esses ativos em qualquer parte do mundo", afirmou Sacamone.
O novo cartão físico, da bandeira Mastercard, permite utilizar os dólares digitais em compras presenciais e online, tanto no Brasil quanto no exterior.
Segundo a OKX, o produto não possui mensalidade ou anuidade e oferece 2% de cashback em compras elegíveis, podendo chegar a 10% para determinados níveis de clientes VIP.
A empresa também anuncia compras sem cobrança de IOF na estrutura atual do cartão, embora isso não signifique ausência de outros tributos eventualmente incidentes sobre operações com ativos digitais.
Cartão também oferece recompensas sobre dólares digitais
Outro destaque do lançamento é a possibilidade de receber recompensas sobre o saldo em USDG mantido no OKX Money.
Segundo a empresa, usuários comuns podem receber recompensas equivalentes a 4% ao ano, enquanto clientes elegíveis de níveis VIP podem alcançar até 10% ao ano, respeitando os limites e as condições do programa.
Os valores são calculados automaticamente e pagos semanalmente, sem necessidade de bloquear as stablecoins em uma operação tradicional de staking.
Durante o evento em São Paulo, realizado às vésperas do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, Lando Norris também participou da apresentação e falou sobre inovação, desenvolvimento tecnológico e os desafios da McLaren.
O que continua sendo obrigação do usuário
Não ter reporte automático não significa não ter imposto. Quem usa o OKX Money continua responsável pela própria declaração:
• O saldo em stablecoins vai na declaração de Imposto de Renda, como qualquer criptoativo.
• Cada pagamento com USDG no cartão pode ser uma alienação de criptoativo. Se o dólar digital foi comprado por um valor menor do que o usado na compra, há ganho de capital a apurar.
• As recompensas recebidas sobre o saldo em USDG também entram na declaração.
• Quem opera sem prestadora brasileira e passa de R$ 35 mil no mês entrega a DeCripto como pessoa física.
• Sem reporte de terceiros, a apuração depende dos registros do próprio usuário. Por isso, o extrato do aplicativo passa a ser documento: vale baixar mês a mês.
Do Declarando Bitcoin
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Sobre o autor
Cassio Schiavi é jornalista com mais de 20 anos de carreira, sendo a última década dedicada ao mercado de criptoativos. Formado em Jornalismo pela FACCAMP e pós-graduado em Globalização e Cultura, já entrevistou nomes como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles e cobriu fóruns como G20 e FMI. No blog do Declarando Bitcoin, escreve sobre regulação cripto.



