C212: o novo reporte diário de criptomoedas para o Banco Central
- Ana Paula Rabello
- há 2 dias
- 4 min de leitura
O Banco Central colocou em operação uma plataforma de testes para reporte de transações com criptomoedas feitas por exchanges que operam no Brasil.
Esse reporte é chamado de C212.
Na prática, ele cria um novo fluxo de informações sobre operações com criptoativos dentro do sistema financeiro.
A pergunta que muita gente está fazendo é simples:
O que é o C212 e como isso impacta quem investe em criptomoedas?
Neste artigo eu vou explicar:
o que é o relatório C212
quem precisa enviar esse relatório
quais operações serão informadas ao Banco Central
e quais são os impactos para o investidor.
O que é o C212
O C212 é um relatório regulatório que será enviado pelas prestadoras de serviços de ativos virtuais ao Banco Central.
Ele nasce dentro do pacote regulatório que o Banco Central está construindo para o mercado de criptoativos no Brasil. C212
A lógica do reporte é simples:
Sempre que existir uma ponte entre o sistema financeiro tradicional e criptomoedas, o Banco Central quer que essa informação seja reportada.
Ou seja, operações que envolvam:
moeda fiduciária (como o real)
criptomoedas
transferências internacionais
ou movimentações entre exchange e autocustódia
passam a gerar informações regulatórias.
Importante: Esse relatório não é público.
Ele é enviado pelas instituições diretamente ao Banco Central, para fins de:
supervisão do mercado
prevenção à lavagem de dinheiro
cruzamento de informações com outros órgãos, inclusive a Receita Federal.
Quando o C212 entra em vigor
A infraestrutura foi liberada inicialmente como ambiente de testes.
Mas a obrigação real começa em maio de 2026.
Outro ponto importante é que a obrigação não depende da autorização formal da empresa pelo Banco Central.
Ou seja:
Se a empresa já prestava serviços com ativos virtuais no mercado brasileiro em 2 de fevereiro de 2026, ela precisa:
se cadastrar no sistema do Banco Central
começar a enviar os relatórios C212.
Quem precisa enviar o C212
O reporte não é feito pelo investidor.
Quem envia os dados é a prestadora de serviços de ativos virtuais.
Isso inclui:
exchanges brasileiras
exchanges estrangeiras com operação estruturada no Brasil
empresas que prestem serviços envolvendo cripto e sistema de pagamentos.
Em outras palavras:
Se existe uma empresa regulada intermediando a operação, ela entra no escopo do reporte.
Quais operações serão informadas ao Banco Central
O C212 é organizado em quatro grandes blocos de informações.
1. Pagamentos e transferências internacionais com cripto
Esse bloco registra operações em que criptomoedas são usadas para:
enviar valores para o exterior
receber valores do exterior
pagar serviços ou produtos fora do país.
Os dados reportados incluem:
data da operação
tipo de transação
ativo virtual utilizado
valor equivalente em reais
identificação do cliente
país de origem ou destino
identificação básica da contraparte no exterior.
2. Uso de cripto para carregar cartões ou contas internacionais
Esse bloco captura operações em que o usuário utiliza criptomoedas para:
carregar cartões internacionais
carregar contas de pagamento no exterior
gastar valores convertidos de cripto.
Nesse caso, a exchange reporta:
quem é o cliente
quanto em cripto foi convertido
valor correspondente em reais
país associado ao meio de pagamento.
3. Transferências entre exchange e autocustódia
Esse é um dos pontos mais sensíveis do relatório.
Sempre que houver movimentação entre:
exchange → carteira própria
carteira própria → exchange
a instituição registra:
data da transação
ativo transferido
quantidade
endereço da carteira
identificação da operação (entrada ou saída).
Isso permite ao regulador identificar o ponto de contato entre o sistema financeiro e a autocustódia.
Mesmo que ele não tenha visibilidade total do que acontece on-chain.
4. Consolidado mensal de operações com moeda fiduciária
O quarto bloco traz um resumo mensal das operações.
Aqui não é operação por operação.
A exchange informa:
total de compras por ativo
total de vendas
total de trocas envolvendo moeda fiduciária
sempre convertido em reais, para dar ao Banco Central uma visão macro do mercado.
O C212 cria novas obrigações para o investidor?
Não.
O C212 não cria novas obrigações de declaração para o contribuinte.
Quem envia os dados é a exchange.
Mas isso não significa que nada muda.
Na prática, algumas consequências podem aparecer:
1. KYC mais rígido nas exchanges
Como as instituições passam a reportar mais dados, é provável que:
exchanges peçam mais informações
processos de verificação fiquem mais detalhados.
2. Mais transparência nas operações
Tudo que passa por uma exchange pode gerar registro regulatório.
Isso inclui:
compras
vendas
transferências
remessas internacionais
movimentações com autocustódia.
3. O anonimato fica mais limitado
Uma das consequências diretas do modelo é que o regulador passa a enxergar o vínculo entre a exchange e a carteira do usuário.
Ou seja:
Mesmo que ele não veja tudo que acontece dentro da blockchain, ele consegue mapear o ponto de entrada e saída do sistema financeiro.
Isso significa que o Banco Central vai rastrear todo mundo?
Não é assim que funciona.
O fato de a informação existir não significa que alguém vai apertar um botão e sair investigando todos os investidores.
O que acontece é:
as informações ficam disponíveis
e podem ser usadas em casos específicos
principalmente quando alguma operação chama atenção.
O que o investidor precisa entender daqui para frente
O ponto principal é simples:
A relação entre exchange, moeda fiduciária e autocustódia está cada vez mais transparente para o regulador.
Isso não impede ninguém de usar autocustódia.
Mas significa que as operações que passam por instituições reguladas deixam rastros regulatórios.
Por isso, cada vez mais, a melhor estratégia para o investidor é simples: manter suas declarações em dia e entender como funciona a tributação das operações com criptomoedas.
Se quiser aprender a declarar suas operações com criptoativos de forma correta, existe hoje um caminho muito mais seguro do que tentar descobrir tudo sozinho.
Na comunidade Declarando Bitcoin, nós ensinamos exatamente isso: como organizar operações, calcular imposto e fazer as declarações corretamente.
Por Ana Paula Rabello e Gabriel Rother Candido
A reprodução deste artigo é permitida mediante a citação do Declarando Bitcoin e a inclusão do link direto para o texto original.
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