Como declarar operações na Deribit no Imposto de Renda 2026
- Ana Paula Rabello
- há 2 horas
- 4 min de leitura
Olá, bitcoiners!
Se você operou na Deribit ao longo de 2025, este é um ponto que exige atenção na sua declaração de Imposto de Renda em 2026. Diferente de exchanges spot tradicionais, a Deribit trabalha majoritariamente com contratos derivativos, e isso muda completamente a lógica de apuração e tributação.
Neste artigo, vou organizar a forma correta de tratar operações na Deribit, com base na legislação brasileira, na prática fiscal aplicada pela Receita Federal e na leitura correta dos extratos da plataforma.
A Deribit é uma exchange estrangeira — e isso importa
A Deribit não é uma exchange brasileira. Pelos próprios movimentos recentes da plataforma — encerramento de integrações locais, avisos regulatórios claros e retirada de comunicação direcionada ao público brasileiro — o entendimento prático é que as operações realizadas ali devem ser tratadas como operações no exterior.
Isso significa que:
Não há isenção mensal de R$ 35.000;
Todo lucro é potencialmente tributável;
A apuração ocorre na declaração anual;
Prejuízos podem ser compensados com lucros no exterior.
O que é fato gerador na Deribit
Aqui está o principal erro de quem tenta declarar Deribit como se fosse spot.
Na Deribit, o fato gerador não é a movimentação, nem o volume de contratos negociados. O que importa exclusivamente é o resultado financeiro da operação, conhecido como PNL (Profit and Loss).
Os contratos negociados na Deribit não são criptoativos em si. Eles são instrumentos financeiros derivados. Por isso:
A abertura de posição não gera imposto;
O aumento ou redução de alavancagem não gera imposto;
Movimentações internas não geram imposto;
O imposto nasce apenas no encerramento da posição ou na liquidação automática.
Receita, despesa, lucro e prejuízo
Cada encerramento de posição na Deribit gera um resultado que pode ser:
Resultado positivo (lucro): ganho de capital realizado;
Resultado negativo (prejuízo): perda de capital realizada.
Do ponto de vista fiscal:
Lucro aumenta o estoque de criptoativos;
Prejuízo reduz o estoque de criptoativos;
Prejuízo gera crédito fiscal compensável no exterior.
A alíquota aplicável é de 15% sobre o lucro líquido, já consideradas eventuais compensações.
Base de cálculo: como converter corretamente
A base de cálculo do imposto é o valor em reais do lucro apurado na data do encerramento da posição.
O procedimento correto é:
Identificar o resultado em cripto (PNL);
Converter esse resultado pela cotação da criptomoeda na data do fechamento;
Aplicar a alíquota de 15% sobre o lucro líquido.
Esse mesmo valor convertido é o que entra no seu estoque como novo custo de aquisição.
Como tratar prejuízo na Deribit
O prejuízo tem um tratamento contábil específico.
Na prática fiscal, o prejuízo é tratado como uma alienação a valor zero. Isso significa que:
A quantidade de cripto perdida é baixada do estoque;
O custo dessa baixa vira prejuízo fiscal;
Esse prejuízo pode ser compensado com lucros futuros no exterior, inclusive em outras criptomoedas.
Essa compensação pode ocorrer no mesmo ano ou em anos futuros.
Exemplo prático de lucro
Imagine um encerramento de posição com resultado positivo de 0,0231 BTC.
Na data do fechamento, o Bitcoin estava cotado a R$ 200.000.
Lucro apurado: R$ 4.620
Imposto devido: 15% sobre o lucro
Imposto: R$ 693
Esse BTC entra no seu estoque com custo de aquisição de R$ 4.620.
Exemplo prático de prejuízo e compensação
Agora imagine um encerramento posterior com prejuízo de 0,0147 BTC, com custo médio de R$ 200.000.
Prejuízo apurado: R$ 2.945,28
Lucro anterior: R$ 4.620
Base líquida após compensação: R$ 1.674,72
Imposto devido: 15% sobre a base líquida
A compensação reduz diretamente o imposto a pagar.
Como ler o extrato da Deribit corretamente
Aqui está o ponto mais importante da apuração.
No extrato da Deribit, o foco deve ser exclusivamente na coluna “Change in Balance”. É ali que aparece o PNL real da operação.
Valores positivos indicam lucro;
Valores negativos indicam prejuízo;
Movimentações fora dessa coluna são apenas ajustes internos.
Todo o resto é ruído para fins tributários.
Erros comuns que geram problemas fiscais
Alguns erros aparecem com frequência:
Apurar o volume de trade em vez do resultado;
Considerar abertura de posição como fato gerador;
Tributar alavancagem;
Ignorar prejuízos compensáveis;
Misturar operações spot com derivativos.
Esses erros distorcem completamente a base de cálculo.
Atenção
Declarar operações na Deribit não é complexo, mas exige entendimento técnico. A lógica é diferente do mercado spot e exige foco exclusivo no resultado final das posições.
Quem tenta simplificar demais acaba errando. Quem ignora o PNL acaba pagando imposto errado. E quem não controla o estoque perde a capacidade de compensar prejuízos.
Na prática, a regra é simples: ignore o ruído, foque no resultado e trate a Deribit como operação no exterior.
É isso que a Receita espera encontrar quando analisa esse tipo de operação.
Por Ana Paula Rabello e Gabriel Rother Candido.
A reprodução deste artigo é permitida mediante a citação do Declarando Bitcoin e a inclusão do link direto para o texto original.
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