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Por que o Bitcoin subiu 9% hoje na exchange, mas cai no Google e você não conseguiu vender

Foto do escritor: Cassio Schiavi
Cassio Schiavi
há 8 minutos
5 min de leitura

O Bitcoin surpreendeu investidores brasileiros nesta segunda-feira (26) ao apresentar uma valorização superior a 9% em reais, enquanto registrava queda no mercado internacional. A diferença gerou dúvidas principalmente entre pessoas que começaram a investir recentemente e perceberam que os preços exibidos nas exchanges não acompanhavam aqueles encontrados em pesquisas no Google.


A situação levou investidores a procurar o Declarando Bitcoin para entender o que estava acontecendo. Além da diferença nas cotações, surgiram relatos de dificuldades para vender criptomoedas, saldos aparentemente desatualizados e aplicativos que apresentavam mensagens de manutenção durante o período de maior volatilidade.



A explicação para a diferença de preços está principalmente no câmbio.


Nesta segunda-feira, o dólar disparou diante da reação do mercado financeiro ao resultado das eleições presidenciais, provocando uma valorização do Bitcoin em reais mesmo sem uma alta correspondente da criptomoeda no exterior.


Por volta das 11h36, o Bitcoin era negociado a US$ 79.774, com queda de aproximadamente 0,6% em 24 horas. No Brasil, entretanto, a criptomoeda chegou a R$ 440.772, acumulando valorização de 9,6% no mesmo intervalo.


Por que o Bitcoin sobe no Brasil, mas cai no exterior?

Entenda por que o Bitcoin sobe nas exchanges brasileiras enquanto cai no Google e como o dólar afeta seus investimentos.

O Bitcoin é negociado globalmente e tem no dólar americano uma de suas principais referências de preço. No Brasil, porém, a maioria dos investidores acompanha o valor da criptomoeda em reais.


Isso significa que o preço brasileiro depende de dois fatores: quanto vale o Bitcoin no mercado internacional e quanto custa o dólar em relação ao real.

Imagine que um Bitcoin esteja cotado a US$ 80 mil e que o dólar valha R$ 5.


Nesse cenário, a criptomoeda custaria aproximadamente R$ 400 mil, desconsiderando diferenças de preços e taxas.



Agora imagine que o Bitcoin continue custando os mesmos US$ 80 mil, mas que o dólar suba para R$ 5,50. Automaticamente, o valor de referência da criptomoeda em reais passaria para R$ 440 mil, uma valorização de 10%, mesmo sem qualquer aumento em dólares.


Foi esse efeito cambial que predominou nesta segunda-feira. O dólar chegou a superar R$ 5,60 durante a sessão, após encerrar a sexta-feira próximo de R$ 4,98.


Por isso, é possível que o Bitcoin esteja caindo em dólar e subindo em reais ao mesmo tempo. Não existe contradição nesses números: eles representam o valor do mesmo ativo em moedas diferentes.


A comparação com o Google também exige atenção. A ferramenta pode apresentar a cotação em dólares ou reais, dependendo da pesquisa realizada. Além disso, os preços exibidos nas buscas podem utilizar referências e horários de atualização diferentes daqueles praticados pelas corretoras.


Mesmo quando Google e exchange mostram o Bitcoin em reais, ainda podem existir pequenas diferenças provocadas por liquidez, oferta e demanda, tarifas e pelo chamado spread, que representa a diferença entre preços de compra e venda.


Portanto, o investidor deve verificar se está comparando BTC/USD com BTC/BRL, qual período de variação está sendo utilizado e se o valor exibido corresponde a uma referência de mercado ou ao preço efetivamente oferecido para executar uma negociação.


O Bitcoin subiu 9%: eu ganhei dinheiro ou fiquei no prejuízo?


Outra dúvida frequente envolve os ganhos apresentados nas plataformas. Afinal, quem possuía Bitcoin antes da disparada do dólar ficou mais rico?

A resposta depende da moeda utilizada para medir o patrimônio e do preço de aquisição da criptomoeda.


Quem comprou Bitcoin anteriormente pode ter registrado uma valorização expressiva de sua posição em reais. Entretanto, quando o patrimônio é convertido para dólares, o resultado pode ser completamente diferente.

Isso ocorre porque parte da valorização em reais pode representar apenas a desvalorização da moeda brasileira, e não um aumento do preço internacional do Bitcoin.



A quantidade de bitcoins mantida pelo investidor também não muda apenas porque o preço oscilou. Quem possuía 0,1 BTC continua com 0,1 BTC, independentemente de a cotação subir ou cair.


Entretanto, isso não significa que o investidor esteja protegido de prejuízos. Uma queda no preço de mercado pode reduzir o valor econômico de seus ativos mesmo antes de uma venda. Quando ocorre a venda por um valor inferior ao custo de aquisição, a perda é efetivamente realizada.


Por outro lado, uma valorização exibida na tela não representa automaticamente um lucro realizado. Para transformar essa valorização em dinheiro, será necessário executar uma operação de venda nas condições disponíveis naquele momento.


A distinção também é importante para fins tributários. A simples valorização do Bitcoin mantido em carteira não significa, por si só, que ocorreu uma alienação sujeita à apuração de Imposto de Renda. A tributação depende das operações efetivamente realizadas e das regras aplicáveis.


E se a exchange travar ou não atualizar o preço do Bitcoin?


A forte volatilidade desta segunda-feira também foi acompanhada de relatos de problemas em aplicativos financeiros.


Investidores procuraram o Declarando Bitcoin relatando dificuldades para vender Bitcoin durante a alta em reais. Entre as reclamações estão cotações que não acompanhavam o movimento do mercado, mensagens de manutenção e indisponibilidade temporária de negociações.


Também foram publicadas reclamações sobre o Nu Cripto em plataformas de atendimento ao consumidor. Em alguns relatos, clientes afirmaram que os valores oferecidos para venda estavam abaixo daqueles observados em referências de mercado.



É importante destacar que essas informações representam relatos dos usuários e não comprovam, por si só, falhas específicas ou retenção indevida de lucros pelas instituições.


Os próprios termos de utilização do Nu Cripto estabelecem que os preços exibidos inicialmente são indicativos e podem mudar até a execução das operações. A plataforma também informa que problemas de liquidez, oscilações bruscas, manutenção e falhas técnicas podem provocar atrasos ou impedir determinadas negociações.


Entretanto, isso não significa que qualquer diferença de preço ou indisponibilidade seja automaticamente justificável. O investidor tem direito a informações claras sobre os custos, os valores efetivamente negociados e as condições de execução das ordens.


Em situações como essa, a recomendação é registrar capturas de tela com o horário, a cotação exibida e as mensagens de erro, além de guardar comprovantes e abrir um atendimento formal na plataforma.


Também é importante verificar se uma ordem foi realmente executada, cancelada ou permaneceu pendente. Caso o problema não seja resolvido, o consumidor poderá recorrer à ouvidoria da instituição e aos canais de reclamação e defesa do consumidor aplicáveis.


Para quem está começando, a principal orientação é não tomar decisões apenas com base no percentual de valorização apresentado na tela. Antes de comprar ou vender, é preciso verificar a moeda de referência, o preço oferecido pela exchange e os custos envolvidos na operação.


Do Declarando Bitcoin


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Sobre o autor

Cassio Schiavi é jornalista com mais de 20 anos de carreira, sendo a última década dedicada ao mercado de criptoativos. Formado em Jornalismo pela FACCAMP e pós-graduado em Globalização e Cultura, já entrevistou nomes como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles e cobriu fóruns como G20 e FMI. No blog do Declarando Bitcoin, escreve sobre regulação cripto.

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