top of page

Binance perde US$ 6,3 bilhões em ataque hacker: teu Bitcoin está seguro?

Foto do escritor: Cassio Schiavi
Cassio Schiavi
há 22 horas
7 min de leitura

A Binance, maior exchange de criptomoedas do mundo em volume de negociação, confirmou nesta sexta-feira (30) um ataque hacker que movimentou aproximadamente US$ 6,3 bilhões em Bitcoin, Ethereum, stablecoins e outros ativos digitais. O incidente ocorreu na quinta-feira (29) e já é considerado o maior roubo da história do mercado cripto, superando com folga o ataque de US$ 1,5 bilhão à Bybit em 2025.


A dimensão do ataque assustou quem mantém bitcoins sob custódia da plataforma. Afinal, se uma empresa do tamanho da Binance pode sofrer uma invasão bilionária, o que acontece com o dinheiro dos clientes?

Segundo a comunicação oficial da Binance, o incidente pode ter começado com o comprometimento do notebook de um funcionário da área de infraestrutura. A empresa afirma não ter encontrado evidências de vazamento das chaves privadas de suas carteiras, mas reconhece que os invasores conseguiram executar saques não autorizados. Numa atualização posterior, a exchange informou que a investigação encontrou outros pontos de invasão, sem detalhar quais.



Até a manhã desta sexta-feira, cerca de US$ 3 bilhões em ativos ligados ao ataque haviam sido congelados. A Binance prometeu cobrir integralmente as perdas com recursos próprios e com seu fundo emergencial, o SAFU.


Como aconteceu o ataque hacker à Binance?


A investigação preliminar aponta que os criminosos comprometeram o notebook de um engenheiro de DevOps, profissional responsável pelos sistemas de desenvolvimento e pela infraestrutura tecnológica. A partir desse acesso, teriam alcançado componentes internos usados para autorizar e processar saques de criptomoedas.


Segundo a TRM Labs, os invasores exploraram os mecanismos de autorização de transações. Na rede Ethereum, usaram recursos associados ao EIP-7702, que permite delegar determinadas operações a contratos inteligentes.


Os criminosos prepararam 50 autorizações previamente assinadas. Bastou uma delas para fazer uma carteira operacional da Binance executar um contrato controlado pelos invasores, o que permitiu movimentar os ativos e desviar também recursos que chegaram depois.


Em uma única transação, saíram cerca de 167.464 ETH e 1,615 bilhão de USDT, além de dezenas de outros tokens. O ataque também atingiu Bitcoin, Tron, Solana e XRP Ledger.


ataque hacker binance


A TRM Labs atribuiu o incidente, com alto grau de confiança, ao grupo TraderTraitor, ligado à Coreia do Norte. O mesmo grupo foi apontado pelo FBI como responsável pelo ataque de aproximadamente US$ 1,5 bilhão à Bybit, em fevereiro de 2025.


A Binance, porém, ainda não confirmou oficialmente quem está por trás do ataque, e a causa definitiva segue sob investigação.


Quanto foi roubado e quanto a Binance recuperou?


A Binance estima um impacto de aproximadamente US$ 6,3 bilhões. A TRM Labs chegou a US$ 6,36 bilhões em transferências não autorizadas, considerando os preços dos ativos no momento do incidente.



O Ethereum concentrou a maior parte dos recursos desviados, seguido pelo Bitcoin e pela Tron.

Blockchain

Valor aproximado

Ethereum e tokens

US$ 3,79 bilhões

Bitcoin

US$ 1,47 bilhão

Tron

US$ 628 milhões

XRP Ledger

US$ 296 milhões

Solana

US$ 96 milhões

Arbitrum, Optimism e Base

US$ 39 milhões

Avalanche

US$ 28 milhões

Polygon

US$ 10 milhões

Fonte: TRM Labs. Valores estimados no momento das transferências.


Só na blockchain do Bitcoin, os invasores movimentaram cerca de 18.270 BTC, avaliados em US$ 1,47 bilhão. No Ethereum, somando a transação principal e as seguintes, o ataque envolveu mais de 200 mil ETH, além de grandes quantidades de stablecoins.


Do total, cerca de US$ 3 bilhões já foram congelados, o equivalente a 48% do impacto estimado. Os outros pouco mais de US$ 3 bilhões seguem nas mãos dos criminosos.


Só que congelar não é o mesmo que recuperar. Quando uma stablecoin é bloqueada, a empresa emissora impede que ela seja movimentada, mas isso não significa que o dinheiro já voltou para a exchange.



A Tether, a Circle e a Ripple participaram dos bloqueios, que atingiram USDT, USDC e RLUSD ligados ao ataque.


Até esta atualização, a Binance não havia divulgado quanto foi efetivamente devolvido às suas carteiras.


Para onde foram os bitcoins e as criptomoedas roubadas?


A empresa de análise blockchain Bitquery acompanhou as movimentações dos invasores e identificou cerca de US$ 3,2 bilhões ainda sob controle dos criminosos durante a madrugada desta sexta-feira.


Os 18.270 BTC roubados foram espalhados por diferentes endereços, em lotes de 1.000 BTC e 100 BTC. Na rede Ethereum, os investigadores também identificaram carteiras usadas para concentrar grandes quantidades de ETH.


Outra estratégia foi converter rapidamente as stablecoins em criptomoedas que não podem ser congeladas por um emissor.


Segundo a Bitquery, cerca de US$ 729 milhões em USDT foram trocados por outros ativos antes que os bloqueios entrassem em vigor. Parte das operações passou por protocolos descentralizados, como Uniswap, 1inch e SunSwap.


Essa corrida mostra uma diferença importante entre Bitcoin e stablecoins. Enquanto certos tokens podem ser bloqueados por quem os emite, o Bitcoin não tem uma empresa central capaz de congelar os saldos de uma carteira.


Por outro lado, todas as transferências ficam registradas nas blockchains, o que permite aos investigadores seguir os endereços usados pelos criminosos.


CryptoQuant mostra quanto a Binance ainda tem em reservas


Apesar da dimensão do ataque, uma análise do pesquisador Darkfost, da CryptoQuant, identificou reservas expressivas de Bitcoin, Ethereum, XRP e USDT ainda mantidas pela Binance.

Criptomoeda

Variação das reservas

Saldo aproximado

Bitcoin

-3,1%

Mais de 682 mil BTC

Ethereum

-8,5%

3,3 milhões de ETH

XRP

-8,0%

2,47 bilhões de XRP

USDT

-6,3%

34,1 bilhões de USDT

Fonte: CryptoQuant, levantamento divulgado em 30 de outubro de 2026.


A maior redução proporcional foi no Ethereum, com queda de 8,5%. No Bitcoin, as reservas diminuíram 3,1%.


Para o pesquisador, os números indicam que a Binance ainda tem reservas suficientes para enfrentar o impacto financeiro do incidente.


Mas ter reservas bilionárias não prova, por si só, que a empresa consegue ressarcir todos os clientes. Também é preciso olhar as obrigações da exchange e as movimentações que não têm relação direta com o ataque.


A Binance informou que vai divulgar uma nova prova de reservas depois de concluir as medidas de segurança.


Minhas criptomoedas na Binance estão seguras?


Essa é provavelmente a pergunta mais importante para quem tem Bitcoin, Ethereum ou outras criptomoedas na plataforma.


A Binance afirma que os recursos dos clientes estão seguros e prometeu cobrir todas as perdas com o SAFU e com patrimônio próprio.


Acontece que o SAFU tinha cerca de US$ 1 bilhão em Bitcoin, segundo a Reuters, bem menos que o impacto total estimado. Ou seja, a exchange vai precisar recorrer a outros recursos para cumprir o que prometeu.


Como medida preventiva, a Binance suspendeu temporariamente depósitos e saques enquanto fazia as verificações de segurança. Depois, informou que os depósitos já funcionam normalmente e que a previsão é retomar os saques em cerca de 48 horas, quando terminar a revisão de segurança do sistema de retiradas.


E o que tu podes fazer se tens criptomoedas na Binance?


O primeiro cuidado é acompanhar os comunicados oficiais da exchange e verificar a situação da tua conta. Uma suspensão temporária de saques não significa que os ativos dos clientes foram perdidos.


Também é importante desconfiar de mensagens que usem o ataque como desculpa para pedir senhas, códigos de autenticação ou transferências para supostas “carteiras de segurança”.


Se tu usas exchanges para guardar criptomoedas, vale conhecer as políticas de custódia, as provas de reservas e os riscos de deixar teus ativos sob responsabilidade de terceiros.


Outra possibilidade é a autocustódia, em que o próprio investidor controla as chaves privadas dos seus bitcoins e outras criptomoedas. Nesse modelo, o acesso aos ativos não depende do funcionamento nem da solvência de uma corretora.


A autocustódia, no entanto, também exige cuidados. Perder as chaves privadas ou a frase de recuperação pode deixar os recursos inacessíveis para sempre.


O que diz a contadora das baleias


Para Ana Paula Rabello, contadora especializada em criptoativos há 10 anos e fundadora do Declarando Bitcoin, o primeiro passo de quem tem cripto em exchange é ter a documentação em mãos:


“Mantém teus extratos sempre em dia. Baixa mês a mês, guarda saldo e movimentação. Num dia como hoje, é esse papel que prova o que é teu.”


Ela também tira duas lições da sequência de ataques que o mercado vem sofrendo:


“Depois de tantos hacks que a gente tem visto, me caíram duas fichas. A primeira: diversifica a custódia. Não dá pra apostar tudo num lugar só. Se tu estás procurando uma alternativa, eu uso a OKX. A segunda: não deixa tudo pro futuro, porque o futuro a Deus pertence, como se diz por aí. Realiza lucros. Diversifica também os teus resultados.”


A lição do maior hack da história


O ataque à Binance mostra que mesmo as maiores empresas do setor podem sofrer incidentes de segurança. Para quem investe em Bitcoin, a principal lição é entender a diferença entre ter um saldo registrado numa exchange e controlar diretamente os ativos numa carteira própria.


A Binance garante que vai cobrir as perdas, enquanto autoridades e especialistas seguem rastreando os recursos desviados. Até o fim das investigações, ainda não é possível saber o impacto financeiro definitivo do ataque.


Do Declarando Bitcoin


Tens cripto na Binance? Mantém tua declaração em ordem.


O Declarando Bitcoin ajuda investidores a organizar extratos, regularizar a situação e manter a conformidade fiscal com a Receita. → Agende uma conversa.


 CriptoCalc: tecnologia que cruza, contabilidade que comprova. Em breve, versão para contadores. Entra na lista de espera → contato@declarandobitcoin.com.br


Quer diversificar a custódia com a declaração em ordem? A OKX tem empresa constituída no Brasil e extratos acessíveis para o IR. → Abre tua conta pelo nosso link 


Este conteúdo contém links de indicação. Se tu abrires conta por eles, o Declarando Bitcoin pode receber comissão, sem custo extra para ti.


Sobre o autor

Cassio Schiavi é jornalista com mais de 20 anos de carreira, sendo a última década dedicada ao mercado de criptoativos. Formado em Jornalismo pela FACCAMP e pós-graduado em Globalização e Cultura, já entrevistou nomes como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles e cobriu fóruns como G20 e FMI. No blog do Declarando Bitcoin, escreve sobre regulação cripto.

bottom of page