top of page

Cartão cripto que não pede nada: liberdade ou risco?

Foto do escritor: Ana Paula Rabello
Ana Paula Rabello
há 42 minutos
6 min de leitura

O cartão Kast começou a pedir CPF dos clientes brasileiros. A notícia correu rápido, e a reação também: "adeus Kast", "estou fora", "virou um produto inútil".


Eu entendo de onde vem essa reação. Quem está em cripto há mais tempo aprendeu a associar privacidade com liberdade. Então, quando uma empresa que antes não pedia nada passa a pedir identificação, a primeira sensação é: pronto, estragaram o produto.


Só que, na minha leitura, tem uma coisa muito importante acontecendo aqui que boa parte do mercado ainda não percebeu: o mercado de criptomoedas mudou. E antes de tu sair correndo para a próxima empresa que promete não pedir absolutamente nada, presta atenção. Aquilo que hoje parece mais liberdade pode ser justamente o que coloca as tuas criptos numa situação de maior risco depois.


Privacidade, anonimato e segurança não são sinônimos


O mercado cripto adora colocar essas três coisas no mesmo balaio. Mas uma empresa não saber nada sobre ti não significa que tu estás inseguro. E uma empresa pedir identificação também não significa que ela é segura.


A pergunta que eu quero que tu comeces a fazer é outra: essa empresa está regularmente habilitada a oferecer esse serviço para brasileiros?


A conversa deixou de ser só sobre Receita Federal e reporte de operações. Agora a gente está falando de regulação para operar no Brasil. O Banco Central passou a regulamentar a prestação de serviços de ativos virtuais, e isso significa autorização, regras de funcionamento, controles, governança e supervisão para qualquer empresa séria. Inclusive as estrangeiras que querem atender brasileiros.


Por isso as empresas que querem continuar nesse mercado estão se mexendo: ajustando estrutura, criando operação no Brasil, pedindo identificação, revendo contratos, adequando produtos.


Inverte a pergunta


Quando aparece a notícia de que agora vai ter CPF, tu podes olhar e pensar "perdeu a graça". Eu olho e pergunto: o que essa empresa está fazendo para continuar atendendo brasileiros dentro da nova regra?


Agora imagina o contrário. Tu encontras outro cartão, e a empresa diz: "CPF? Não preciso. Brasileiro pode usar normalmente." E tu pensas: agora sim, esse respeita a filosofia cripto.


Vai uma pergunta além: por quê? Se esse serviço está sujeito às regras brasileiras, por que essa empresa está escolhendo não se adequar? Existe uma diferença enorme entre uma solução internacional legítima e uma empresa que simplesmente segue mirando o mercado brasileiro ignorando as obrigações às quais está sujeita.


É aqui que a discussão deixa de ser ideológica e passa a envolver o teu patrimônio.


Seis meses depois


Imagina a cena. Tu encontras um cartão maravilhoso, que não te pede nada. Mandas as tuas criptos para lá, começas a usar, funciona perfeitamente.


Seis meses depois, descobres que aquela empresa não pode mais ofertar o serviço para brasileiros daquela forma. Aí a primeira pergunta não é sobre privacidade. É:


  • Onde estão os meus fundos?

  • Como eu retiro? Como movimento? Existe prazo?

  • Quem é a minha contraparte se der problema? Com quem eu falo?

  • Qual estrutura está, de fato, prestando o serviço para mim?


A gente teve um caso agora, recente: a Liquid. No começo de setembro, um ataque explorou uma falha no software da rede e drenou quase 4.000 BTC. Desde então, os resgates de L-BTC para bitcoin estão suspensos, sem data para voltar, e muita gente que estava ali, inclusive brasileiros que usavam a stablecoin Depix, ficou sem conseguir sair. Muita gente se assustou. Porque apostou na privacidade e esqueceu da segurança. Privacidade sem segurança não atende. Aquela ausência de exigências que parece vantagem quando tu entras pode virar o pesadelo quando tu precisas sair.


Identificação não é certificado mágico


Cuidado com o extremo oposto. Eu não estou dizendo que "tem identificação, então é seguro". Uma empresa pode cumprir exigências regulatórias e ainda assim ter outros riscos: de contraparte, operacional, de custódia, de produto, de estrutura internacional.


O que eu estou dizendo é: identificação não é certificado de segurança, mas não pedir nada também não é. Talvez esse seja um dos maiores ajustes mentais que o investidor brasileiro de cripto vai precisar fazer daqui para frente.


Durante muito tempo a pergunta era "qual cartão funciona?". Depois virou "qual cartão não pede identificação?". Agora a pergunta precisa ser mais madura: quem está por trás desse produto, qual estrutura está me atendendo e ela pode oferecer isso para mim?


E isso não significa o fim dos produtos internacionais para brasileiros. Existem grupos globais se adequando no Brasil e, ao mesmo tempo, mantendo estruturas internacionais capazes de oferecer outros produtos dentro das respectivas regras, inclusive cartões. A escolha não precisa ser "ou empresa regular no Brasil, ou solução global". Dá para encontrar estruturas que conciliam as duas coisas.


"Mas eu quero privacidade"


Perfeito. Discussão legítima. O que eu não quero é que tu confundas privacidade com uma empresa operar escondida.


Eu posso querer privacidade e, ao mesmo tempo, saber quem está custodiando ou intermediando a minha cripto. Posso querer um cartão internacional e entender qual empresa está por trás dele. Posso defender bitcoin, autocustódia e liberdade financeira e, ainda assim, avaliar risco de contraparte antes de mandar minhas criptos para uma empresa.


Um adendo: eu recebo todo dia ofertas de publi de cartões cripto espalhados pelo mundo que não vão se adequar. Eu sempre nego. Não tenho como divulgar um cartão que não conheço, em que não confio, ou pior, que eu sei que está nitidamente burlando regras aqui no Brasil. Que futuro tem esse cartão? Eu não posso atestar.


O checklist antes de mandar cripto para um cartão


Não confia de cara. Verifica. E verificar não é só olhar se pede CPF:


  1. Qual empresa presta o serviço e em que país ela está estabelecida?

  2. Quem emite o cartão?

  3. Quem fica com a minha cripto?

  4. Que informações ela exige dos brasileiros?

  5. Ela está autorizada ou enquadrada para oferecer o que está me oferecendo?

  6. O que acontece com o meu saldo se o serviço para brasileiros for interrompido?

  7. Como eu retiro as minhas criptos se decidir sair?


Essas perguntas são muito menos emocionantes do que "pede CPF ou não". Mas são muito mais importantes para o teu patrimônio.


O cartão que eu uso


Eu prometi, então lá vai: eu uso o cartão da OKX.


Escolhi porque a OKX veio para o Brasil antes. Ao menor sinal de regulação, ela já se estruturou aqui, montou uma operação nacional e está solicitando autorização ao Banco Central, sem abrir mão da estrutura global. A liquidez é boa, a estrutura global é excelente, e ela oferece serviços internacionais que a gente não tem nas nacionais. O cartão foi desenhado seguindo as regras, e ainda assim atende quem tem a privacidade como prioridade.


Eu não migrei agora. Já tinha migrado lá atrás, quando começou o vai e vem da Binance. Hoje uso o cartão da OKX, opero na exchange global, tenho suporte na nossa língua (que eu acho importantíssimo) e me sinto segura. Por isso me sinto à vontade para dizer: recomendo, sim. Meu link de indicação está aqui.


Mas avalia o que te serve. Existem outras estruturas globais funcionando no Brasil, devidamente regulamentadas, com propostas parecidas. O que precisa ficar claro é: quando aparecer aquele cartãozinho desconhecido que não pede nada, pergunta por que não pede. Como tu te asseguras de que essa empresa é idônea? Não sai despejando cripto em cartão desconhecido, pelo amor de Deus.


Patrimônio de qualquer tamanho merece zelo


Não interessa se tu és pequeno ou grande. O olhar para o teu patrimônio tem que ser de zelo. Liberdade continua importante, privacidade continua importante, autocustódia continua importante. Mas organização, segurança jurídica e gestão de risco andam juntas com elas.


E se tu és peixinho e quer o mesmo atendimento personalizado que eu dou para as baleias, conhece o Acompanhamento Peixinho do Declarando Bitcoin. Chama a gente no WhatsApp que a gente te explica como funciona.


Por Ana Paula Rabello e Gabriel Rother Candido


A reprodução deste artigo é permitida mediante a citação do Declarando Bitcoin e a inclusão do link direto para o texto original.

Vem com a gente para mais!

Se tu estás à procura de estratégias eficazes e orientações personalizadas de um contador especializado, não hesites em entrar em contato com a gente. Estamos prontos para oferecer soluções sob medida que atendam às tuas necessidades específicas.

Segue o Declarando Bitcoin no Instagram, YouTube, Telegram, Twitter, Tik Tok, Linkedin e Facebook.

Chama no WhatsApp 📲 + 55 (51) 99520-7881

bottom of page